Uma das histórias mais intensas e lendárias da literatura inglesa está prestes a ganhar uma nova vida nas telonas. O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights), o romance gótico de Emily Brontë publicado em 1847, foi adaptado para um filme dirigido e roteirizado por Emerald Fennell, com lançamento programado para 13 de fevereiro de 2026, coincidindo com o fim de semana do Dia dos Namorados nos Estados Unidos — uma escolha que já sinaliza a ênfase nos elementos românticos e passionais da obra original.
Esta nova versão cinematográfica promete ser uma releitura ousada e estilisticamente distinta da clássica história de amor e destruição entre Catherine Earnshaw e Heathcliff, ambientada nas charnecas ventosas de Yorkshire. Com um elenco de peso liderado por Margot Robbie e Jacob Elordi, e a assinatura de uma cineasta reconhecida por trabalhos instigantes como Promising Young Woman e Saltburn, o filme já está cercado de expectativas, debates e curiosidade global — especialmente entre fãs do livro e cinéfilos atentos às tendências do cinema contemporâneo.
Um clássico gótico que atravessou séculos
Antes de pensar na nova adaptação, é importante compreender o peso histórico e literário dessa obra. O Morro dos Ventos Uivantes é um dos romances mais intensos já escritos na língua inglesa, reconhecido por sua narrativa sombria, personagens emocionalmente extremos e pela forma única como Elizabeth Brontë — a menos conhecida das irmãs Brontë — explorou amor, obsessão, vingança e sofrimento.
A história acompanha a turbulenta relação entre Heathcliff, um órfão que cresce junto à família Earnshaw, e Catherine Earnshaw, a filha da casa. O amor entre os dois se transforma em paixão destrutiva, afetando não apenas suas vidas, mas também a de todos ao redor, incluindo as famílias Earnshaw e Linton. A trama é narrada em parte por Nelly Dean, governanta da propriedade, e por Lockwood, um inquilino que se depara com a história durante sua estadia na charneca.
Essa obra já foi adaptada inúmeras vezes, seja para o cinema ou a televisão, com versões memoráveis ao longo das décadas. O filme de 1939 dirigido por William Wyler é considerado clássico, e adaptações mais recentes, como a de 2011 dirigida por Andrea Arnold, ganharam atenção por suas interpretações artísticas. A nova versão, no entanto, traz um olhar contemporâneo e ousado, firmado pela cineasta Emerald Fennell.
Direção e visão autoral: quem é Emerald Fennell
Emerald Fennell é uma cineasta e roteirista britânica que ganhou projeção internacional com seu trabalho em Promising Young Woman (2020), filme indicado ao Oscar e reconhecido por sua crítica social e narrativa ácida. Ela também dirigiu Saltburn (2023), que se destacou por sua estética marcante e abordagem provocativa de classe e desejo.
Em O Morro dos Ventos Uivantes (2026), Fennell não só dirige como também escreveu a adaptação, optando por uma interpretação que vai além da literalidade do romance e enfatiza a intensidade emocional e os conflitos internos das personagens. Em entrevistas recentes, ela comentou que sua versão busca provocar uma reação primal no público, explorando a natureza visceral da história.
Esse posicionamento indica que o filme não pretende ser apenas mais uma reconstituição histórica, mas sim uma obra cinematográfica própria, com linguagem e estética próprias, tanto no visual quanto na narrativa. Isso pode ser um dos principais motivos pelos quais a adaptação vem sendo aguardada com grande interesse, mas também com certa controvérsia — algo que abordaremos mais adiante.
Elenco principal: Margot Robbie e Jacob Elordi
O coração da história está no relacionamento entre Catherine Earnshaw e Heathcliff, e para esses papéis principais o filme escalou nomes de grande destaque:
- Margot Robbie interpretará Catherine Earnshaw, a personagem central cuja intensidade emocional e dualidade interior são essenciais para a história. Robbie, conhecida por sua versatilidade em papéis de grande carga dramática e emocional, também atua como produtora por meio de sua empresa LuckyChap Entertainment, que produz o filme em parceria com a Warner Bros.
- Jacob Elordi foi escolhido para interpretar Heathcliff, o personagem cuja origem e temperamento impulsionam grande parte da narrativa. Elordi ganhou atenção internacional por seu trabalho em séries e filmes recentes, e sua escalação representa uma escolha ousada, já que o personagem, conforme descrito no livro original, carrega uma ambiguidade étnica e história de classe que geram expectativas específicas entre leitores.
O elenco também inclui atores como Hong Chau, que interpreta Nelly Dean, a narradora de grande importância dentro da trama, e Alison Oliver como Isabella Linton, entre outros nomes.
Data de lançamento e estratégia de distribuição
O filme está programado para estrear nos cinemas em 13 de fevereiro de 2026, nos Estados Unidos, com lançamentos em diferentes mercados próximos a essa data — incluindo o Brasil, onde notícias indicam datas entre 12 e 14 de fevereiro de 2026.
A escolha do período do Dia dos Namorados não é aleatória: o marketing aproveita o forte apelo romântico da história para posicionar o filme como um dos grandes lançamentos sentimentais do ano. Essa estratégia de lançamento sugere que o estúdio Warner Bros. quer que o público associe a adaptação tanto ao drama clássico quanto ao gênero romântico intenso — algo que, sem dúvida, aumenta sua presença nas conversas culturais antes mesmo da estreia.
Trailer, estética e atmosfera do filme
O primeiro trailer oficial foi lançado em 13 de novembro de 2025, apresentando uma atmosfera forte, visual expressivo e música evocativa. A trilha, inclusive, conta com contribuições originais da artista Charli XCX, incluindo o single House e outras músicas que fazem parte da promoção sonora do filme.
Além disso, pôsteres e imagens promocionais revelam a estética escolhida por Fennell: uma mistura de romantismo gótico com sensibilidade contemporânea, destacando paisagens áridas, contrastes dramáticos e visuais intensos. Essa abordagem estética prepara o público para uma experiência visualmente distinta, mais sensorial do que simplesmente narrativa.
O desafio de adaptar um clássico
Adaptar um clássico do século XIX é sempre um grande desafio, especialmente quando se trata de um livro tão amado e estudado como O Morro dos Ventos Uivantes. A obra de Emily Brontë é conhecida por seu tom sombrio, sua intensidade emocional e sua exploração brutal de paixão, obsessão e sofrimento — elementos que nem sempre são fáceis de traduzir para a linguagem cinematográfica sem perder nuances importantes.
Além disso, o livro possui uma estrutura narrativa complexa, com camadas de relato (a história é contada em parte por Nelly Dean a Lockwood), o que significa que uma adaptação precisa decidir como apresentar esses elementos de forma clara e envolvente. A escolha de Emerald Fennell de focar em uma visão emocional mais profunda, em vez de aderir estritamente às convenções antigas, reflete uma tentativa de equilibrar fidelidade histórica com relevância contemporânea.
Controvérsias e debates antecipados
Antes mesmo da estreia, a nova adaptação gerou debates entre fãs da obra. Uma das discussões mais intensas envolve a escalação de Jacob Elordi como Heathcliff. Nos livros originais, Heathcliff é descrito com uma origem que sugere traços étnicos mais complexos — possivelmente ligados à diáspora africana ou cigana — e não branco europeu, o que gerou críticas de parte dos leitores que consideram essa parte do personagem significativa na dinâmica social do romance.
Além disso, há debates sobre a escolha de Margot Robbie como Catherine, principalmente pela diferença de idade entre a atriz e a personagem descrita no livro, o que levanta questões sobre fidelidade à obra original versus interpretação artística livre.
Apesar dessas discussões, muitos críticos e espectadores estão curiosos para ver como a adaptação de Fennell — conhecida por seu estilo ousado — irá reinterpretar a história para um público moderno, potencialmente abrindo espaço para leituras mais psicológicas e sensoriais do material clássico.
O que esperar da experiência cinematográfica
Dado o histórico de Fennell como diretora que abraça intimidade emocional e tensão estética, O Morro dos Ventos Uivantes (2026) parece se posicionar como algo mais do que uma simples recontagem do romance. Espera-se uma experiência que explora:
- Os conflitos internos de personagens obsessivos e apaixonados
- A atmosfera gótica e a paisagem imponente das charnecas
- Relações humanas intensas que misturam amor e sofrimento
- Uma estética cinematográfica que privilegia sensações sobre explicações literais
Esse equilíbrio entre fidelidade temática e liberdade artística pode tornar o filme um dos grandes lançamentos românticos e dramáticos de 2026 — seja entre fãs do livro, seja entre o público generalista que se encanta com grandes histórias de amor e tragédia.
Conclusão: por que este filme importa
A nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes representa uma reinterpretação ousada de um dos romances mais intensos da literatura ocidental. Com uma equipe criativa reconhecida, um elenco de destaque e uma estratégia de lançamento pensada para maximizar sua presença cultural, o filme tem tudo para entrar na conversa não apenas como uma adaptação, mas como uma obra cinematográfica que pode se destacar por sua visão emocional e estética marcante.
Ao aproximar uma história do século XIX de uma audiência do século XXI, O Morro dos Ventos Uivantes reafirma o poder duradouro dos grandes romances: não apenas como arte literária, mas como narrativas que continuam a ressoar e provocar reflexões sobre amor, perda, obsessão e o impacto que pessoas deixam umas nas outras — por mais que o tempo tente apagar.